Em 2007 foi terminada a revisão da ISO 1996, pela Comissão de Normalização Internacional (ISO), da qual resultaram as normas 1996-1:2003 e 1996-2:2007 que revogam as normas 1996-1:1982, e 1996-2 e 1996-3 de 1987.
A actual norma Portuguesa NP 1730, caracteriza o ruído ambiente em vários tipos: estacionário; ruído estacionário por patamares e por acontecimentos discretos e impulsivo. A versão mais recente, a norma ISO 1996-1:2003 classifica o ruído ambiente por tipos de fontes: tráfego rodoviário, aeronáutico, ferroviário e ruído oriundo do funcionamento de actividades industriais. Esta abordagem, no nosso entender, é mais adequada à caracterização da incomodidade induzida pelo ruído e à definição de planos de redução do mesmo, permitindo a combinação de resultados de medição in situ com os resultados obtidos pelos métodos de previsão, para pontos receptores em condições similares. A segunda parte apresenta uma série de novos dados, sendo o mais relevante, a definição de um valor de incerteza em função do propósito do ensaio, bem como, da metodologia aplicada no mesmo. Para este valor são consideradas como fontes de incerteza os seguintes pontos: a existência de ruído residual; as características sonoras da fonte emissora; o equipamento de medição; a localização do microfone; as condições meteorológicas. Em função das oscilações meteorológicas, as condições de propagação podem ser alteradas, incrementando a incerteza de modo significativo, devendo então o laboratório de medição repetir as medições em número suficiente, tanto quanto possível nas mesmas condições, de forma a se obter uma estimativa dentro de valores aceitáveis. O valor associado à incerteza deve ser o mais baixo possível, de forma a evitar desvios acentuados da realidade que se pode traduzir num cumprimento favorável, ou não, dos valores legais.
Esta norma introduz ainda as curvas de Loudness, permitindo uma aproximação mais real ao que é percepcionado pelo ser humano e a análise de tonais, através de um novo método que verifica a contribuição das diversas frequências associadas numa determinada gama, que possam provocar uma sensação de incomodidade. Esta nova metodologia refere-se às denominadas bandas críticas.
Todas estas alterações e evoluções estão ainda a ser postas em prática e num futuro breve esta nova norma entrará em vigor no nosso país.
O ArLab – Laboratório de ensaios da A. Ramalhão, Lda, é uma entidade acreditada pelo IPAC para a realização de ensaios de ruído ambiental e já se encontra na fase de preparação da nova norma ISO 1996.
Junho de 2010
Tiago Brilhante
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